cisto no ovario

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No artigo anterior foram abordados os cistos fisiológicos dos ovários, ou seja, os que naturalmente surgem e desaparecem durante o “mês menstrual”. Entretanto, alguns outros merecem especial atenção pois sua presença significa anormalidade.

Se você for portadora de um cisto considerado anormal é interessante saber duas coisas: a primeira é que o têrmo “tumor” deve ser entendido como uma palavra técnica que designa qualquer crescimento anômalo, não necessariamente associado a câncer. A segunda é que compreenda onde é que se enquadra o seu cisto, quais os tipos que existem e por quê devem ser acompanhados de perto e tratados. Para melhor compreensão, serão abordados separadamente.

Ovários policísticos - como já foi visto, um número enorme de mulheres têm microcistos, sem que isso seja um problema. Entretanto, caso esse número ultrapasse o considerado fisiológico, há um aumento global no tamanho dos ovários e concomitantemente uma maior dificuldade no processo de ovulação, com formação de mais microcistos. Vemos que acaba de se formar um ciclo vicioso e como consequência prática há variações hormonais que, por sua vez, determinam alterações físicas, como por exemplo: acne, aumento de pêlos, ganho de peso (ou dificuldade na perda) e irregularidades menstruais (ciclos mais longos e até ausência de menstruação). Em alguns casos, também pode haver infertilidade. A esse conjunto de alterações dá-se o nome de Síndrome dos Ovários Policísticos, que pode se apresentar em vários estágios de gravidade.

Cisto dermóide (ou teratoma) - é um tipo muito particular de cisto e um dos tumores benignos mais freqüentes. Ele surge a partir do desenvolvimento de células que restaram da fase embrionária da menina e que subitamente começam a se multiplicar. É como se elas acordassem de um longo período de hibernação, o que ocorre em torno da 2a – 4a década de vida. Ainda não se descobriu por quê, nem como isso acontece. Sabe-se, entretanto, que ele abriga vários tipos de estruturas como pêlos, tecido gorduroso, dente, pedaços de ossos e cartilagem. Como geralmente cresce na intimidade do ovário há, obrigatoriamente, uma distensão do mesmo. Ora, se isso não for bloqueado, o ovário acaba virando a própria “cobertura” do cisto, o que faz com que ele, enquanto órgão, praticamente desapareça! Além disso, o teratoma freqüentemente é bilateral e sua malignização ocorre em mais de 10% dos casos.

Endometrioma: é um cisto cujo conteúdo é formado por um líquido semelhante a chocolate derretido. É decorrente de uma doença chamada endometriose, na qual o tecido que reveste a parte interna do útero (e que é eliminado a cada menstruação), encontra-se localizado fora dele, neste caso, no ovário. Como o tecido endometrial é estimulado a se desenvolver através do hormônio feminino (estrógeno), o crescimento desse tipo de cisto tende a ocorrer mês após mês, podendo chegar, da mesma forma como acontece com o teratoma, a fazer com que o ovário praticamente desapareça, passando a existir somente o cisto.

Cistoadenoma: relativamente freqüente, é um cisto benigno que geralmente produz muito líquido e, muitas vezes, com um crescimento relativamente rápido, podendo chegar a ter 20-30 centímetros em poucos meses! Por este motivo, deve ser diagnosticado e tratado com certa brevidade.

Na maioria das vezes os cistos de ovário são “silenciosos”, ou seja, não dão nenhum tipo de sintoma ou sinal. Entretanto, algumas coisas podem sugerir sua presença:

  *Sensação de peso, inchaço ou dor no baixo ventre (em um ou ambos os lados).
  *Aumento do volume abdominal.
  *Dor durante a relação sexual.
  *Aumento de pêlos no rosto ou em qualquer outra parte do corpo (geralmente em locais em que habitualmente só os homens têm).
  *Dor aguda, severa, febre e/ou vômitos - quando relacionados com cisto de ovário, podem sinalizar a presença de hemorragia ou torção do órgão.

O diagnóstico pode ser feito com o exame físico, quando o médico avalia o tamanho dos ovários e/ou através da ultrassonografia. O último recurso utilizado para sua confirmação é a videolaparoscopia.

Finalmente há alguns aspectos a serem considerados, e que determinarão o tipo de tratamento:

  *Tamanho e tipo do cisto (são fatores determinantes na terapêutica).
  *Idade da mulher (se a mesma está em idade reprodutiva ou na menopausa).
  *Desejo de engravidar.
  *Estado geral de saúde.
  *Severidade dos sintomas.

Ao contrário do que acontece com os cistos fisiológicos, os acima relacionados não desaparecem e, portanto, requerem um tratamento específico, como é o caso dos microcistos, que muitas vezes regridem com medicação antroposófica, homeopática ou hormonal (pílula anticoncepcional). Já, o teratoma, o endometrioma e os cistoadenomas só podem ser tratados cirurgicamente e, sempre que possível, a via de acesso preferida é a endoscópica (videolaparoscopia). Quando diagnosticados precocemente, estes cistos não chegam a crescer a ponto de comprometer totalmente o ovário que, por ser um órgão de extrema importância, pode E DEVE ser conservado. Desta forma, será feita exclusivamente a retirada do cisto, preservando-se o tecido ovariano normal.

por Marco Antonio Lenci & Reginaldo Guedes Coelho Lopes

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