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Author Topic: Endo de parede abdominal em cicatrizes cirúrgicas.  (Read 23993 times)
cas
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"Bons amigos são bons para sua saúde."


« on: June 06, 2008, 10:23:07 AM »

ARTIGO RELACIONADO A PARTOS
Copiado da extinta comunidade "Vivendo Sem Endometriose".

Apesar de ser um tipo raro de endometriose, creio q vale a pena postar esse artigo q relata um caso desse tipo de endo. Como o artigo é bastante técnico, foi resumido e adaptado (por Dani) pra uma linguagem mais acessível à nós pacientes.

O artigo em questão foi reproduzido da Revista da Associação Médica Brasileira
Rev. Assoc. Med. Bras. vol.53 no.3 São Paulo May/June 2007

TÍTULO: Endometriose pode ser diagnóstico diferencial em tumoração de parede abdominal após cesárea ou dermolipectomia estética?
por José Mendes Aldrighi; Alexandre Mendonça Munhoz; Cláudia Maria Santos Aldrighi

DESCRIÇÃO DO CASO

"Paciente do sexo feminino, 44 anos, com queixa de dor abdominal há dez dias, localizada em flanco (nas laterais da barriga) e região embaixo do umbigo do lado direito e com irradiação para a região lombar (nas costas).

Há sete dias notou piora da dor e inchaço na região. Procurou o pronto-socorro onde se cogitou a hipótese de tumor de parede abdominal, tendo recebido medicação pra melhora dos sintomas. Após melhora parcial do quadro, realizou tomografia de parede abdominal que constatou espessamento nodular no músculo reto abdominal direito de limites imprecisos e correspondentes à região de dor.

Na ressonância magnética do abdome observou-se em mesma topografia formação sólida de aproximadamente 7,8 x 3,2 x 1,9 cm no músculo reto direito associado com componente hemorrágico.

Após medicação, apresentou melhora parcial da dor, porém persistindo quadro de dor residual e inchaço localizado. Antecedentes: dor semelhante, mas não tão intensa que piorava na fase pré-menstrual; Parto prematuro - cesárea - há oito anos; Dermolipectomia (cirurgia plástica pra retirada de pele e gordura) estética - há três anos.

Devido ao quadro de dor residual e identificação de massa tumoral em topografia do músculo reto, foi realizada laparotomia (abertura cirúrgica da parede abdominal e do peritônio – revestimento interno da pelve) com biópsia intra-operatória (durante a cirurgia).

Constatou-se o diagnóstico de endometrioma de parede abdominal.

Realizou-se então a ressecção completa da massa tumoral e parte do músculo reto do abdome comprometido (correspondente à região infra-umbilical). Devido à extensão da ressecção, foi realizada a reconstrução da parede abdominal.

A paciente apresentou boa evolução com resolução completa da dor e do abaulamento. Segue em acompanhamento de rotina sem recidiva do processo e com boa estabilidade da parede abdominal.

DISCUSSÃO:

Frequentemente, os ginecologistas e cirurgiões plásticos se deparam com queixas de dores pós cirurgias ginecológicas, partos e correções estéticas da parede abdominal.

Alguns casos podem apresentar intensidade leve ou mesmo períodos de melhora ou piora, fato este que dificulta a investigação diagnóstica e a valorização dos sintomas pela equipe médica. Aderências cicatriciais, processos inflamatórios inespecíficos ou mesmo fios de sutura em planos profundos e reações do tipo "corpo estranho" podem ser cogitados.

Qdo há maior intensidade do quadro clínico, associação da dor com o período menstrual e a presença de massa tumoral podem sugerir a hipótese diagnóstica de endometriose de parede abdominal.

Embora com incidência rara, a endometriose da parede do abdome é relatada na literatura como diagnóstico diferencial para as dores crônicas e cíclicas desta região.

Alguns autores relatam incidência entre 0,03% e 0,4% após procedimentos cirúrgicos ginecológicos como histerectomias e cesareanas.

Em estudo recente, descreveram o quadro como endometriose parietal em experiência cirúrgica de 15 pacientes diagnosticados com a afecção. Com idade média de 32 anos, todas as pacientes apresentaram o antecedente de cesárea tipo Pfannenstiel (incisão cirúrgica suprapúbica - acima da região púbica).

Segundo os autores, o tempo médio entre a cirurgia de cesárea e o aparecimento dos sintomas foi de cinco anos, todavia apenas 66% das pacientes apresentavam o quadro clássico de dor cíclica.

Vale ressaltar que em apenas 26,6% das pacientes havia o antecedente de endometriose pélvica prévia.

Todas as pacientes foram tratadas cirurgicamente sendo que em:

# 13,3% a lesão se localizava em situação pré-aponeurótica (ainda ñ aderida ao músculo abdominal);

# 46,6% intra-muscular (músculo reto do abdome) e

# em 33% na fáscia (tecido q reveste o músculo) do músculo oblíquo externo e transverso.

Todas as pacientes apresentaram boa evolução sem recidiva do quadro.

Por isso, cabe ao ginecologista e ao cirurgião plástico a correta e precisa investigação diagnóstica da dor crônica da parede abdominal. Na maioria dos casos de endometriose desta região, os sintomas podem não ser evidentes e a grande maioria das pacientes não apresentam antecedentes de endometriose.

Estes achados são confirmados com a experiência de outros grupos que relatam a maior incidência de massa tumoral como quadro clínico principal sendo a dor cíclica menstrual pouco freqüente.

A causa pode estar relacionada a implantes de células do endométrio após manipulação cirúrgica em procedimentos ginecológicos e plásticos. No tratamento cirúrgico, vale enfatizar a possibilidade de comprometimento da fáscia aponeurótica (revestimento muscular) e dos músculos retos do abdome.

Desta forma, torna-se importante o planejamento pré-operatório e a possibilidade de aplicação de técnicas de reconstrução de parede abdominal; daí, no nosso entender, ser prudente e imprescindível solicitar sempre a opinião do cirurgião plástico, principalmente nos casos onde há alta suspeita e maior comprometimento tecidual pelos métodos de imagem.

A aplicação de técnicas habitualmente usadas em cirurgia reconstrutora pode favorecer o resultado final e evitar complicações inerentes à estabilidade da parede abdominal.

Assim, a endometriose parietal do abdome, embora rara, deve ser cogitada nas situações de dor crônica e antecedente de cirurgia cesariana.

É fundamental sua correta identificação e a abordagem cirúrgica deve ser considerada sempre dentro de uma assistência multidisciplinar; só desta forma será atingido o resultado adequado.

FONTE: artigo na íntegra, com imagens - http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302007000300010&lng=eneeee&nrm=iso&tlng=eneeee
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Cas
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http://www.orkut.com/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=2207951
Solange Mariano
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« Reply #1 on: June 09, 2008, 11:02:38 AM »

Ola Cas tudo bem Huh??

fiz uma cirurgia abdominal há 70 dias,e foi retirado um nódulo de 4cm da minha barriga ,que foi localizado atavés de um ultrassom, o medico não achou que fosse endometrioma, pois estava na ciratriz da cesárea de 6 anos, e era duro com aspecto esbranquiçado, mas quando veio a biopsia foi comprovada a endometriose de dois tipos, neste momento não me lembro dos tipos.... minha barriga, ficou deformada, a cicatriz se retraiu, a barriga, cai um pouco em cima da cicatriz e a impressão que tenho é que minha vagina ficou inchada, esta muito feia......
como ja dei em depoimento, fiz duas videos e uma retirada de utero via vaginal, onde nada foi encontrado, apesar 2 miomas.... hoje faço tratamento com zoladex, vou tomar outra dose no final do mês, a anterior tomei 1 semana apos a cirurgia, mas as dores continuam, em menor itensidade, mas continuam.espero que com a segunda dose  tudo melhore.....
bjs
solange
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